A reportagem abaixo faz parte da edição de Julho/21 da Portal Magazine. Para conferir a revista na íntegra, acesse o link abaixo:

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Marcelo Alejandro Gonzalez Muniz nos contou muitas histórias sobre a sua infância e como o Portal foi importante em sua vida e para a cidade de São Paulo. Leia, a seguir, um relato apaixonado e saudoso sobre a sua vivência no condomínio.

“Meu pai era um imigrante Uruguaio, industrial da área de equipamentos elétricos. Minha mãe era esteticista. Por volta de 1974, morávamos próximo ao Carrefour da Marginal Pinheiros e meu pai visitou o Portal do Morumbi. Nessa visita, deixaram eu e meus irmãos brincarmos na piscina aquecida (ela era a gás, na época, anterior aos painéis solares). Meu pai disse que foi nesse momento que ele decidiu que nós iríamos morar no Portal. Quanto aos meus pais, tenho certeza que, mesmo não morando mais no condomínio, guardam para eles alguns dos melhores momentos de suas vidas. Eu lembro das festas que davam no apartamento, com amigos e familiares, e também de familiares que vinham do exterior para conhecer o lugar incrível em que morávamos.

Com meus inseparáveis amigos, estávamos sempre enfiados em alguma das matas onde acreditávamos que existiam coisas misteriosas, como um “calabouço” na mata do Castanheira, uma chaminé enterrada na mata de Araucária, ou fantasmas da mata assombrada do Flamboyant. Em especial, lembro que nós éramos apaixonados por futebol, mas jogar nas quadras ou no campo não era negócio, a nossa onda eram os “estádios”. Havíamos apelidado carinhosamente cada gramado com um nome de estádio. Na frente do Magnólia era o Morumbi, na frente do Araucária (do lado da cachoeira) era o Pacaembu, no grande gramado do clube era o Maracanã. Nós jogávamos até algum dos seguranças botarem a gente para correr. Eles já sabiam de cor os nossos apartamentos.

Eu gostava de nadar nas piscinas frias (em especial na semiolímpica, que tem uma parte bem funda, incomum nas piscinas de hoje) e quando estava morrendo de frio corria para a piscina aquecida. Quando estava frio demais, enganávamos o segurança e entrávamos na sauna para nos aquecer.

Nós também vestíamos máscaras de monstros e nos escondíamos nas matas de noite para assustar os desavisados que passavam por lá. Em 1979, sofri um acidente de bicicleta na frente do Magnólia. Os jardineiros faziam montes de esterco pra adubar a grama e nos aproveitávamos pra transformar esses montes em rampas de bicicleta. Pois numa dessas cai em cima do guidão e depois dentro da poça de água na grama. Eu teria morrido ali, estava inconsciente, com o rosto submerso na água. Felizmente, o zelador do Magnólia na época, o Sr. Adail, salvou a minha vida. Me resgatou e chamou o socorro. De lá, fui para o hospital e sai só alguns meses depois. São muitas histórias. Que infância encantada eu tive.

Eu acredito que o portal é uma viagem no tempo para um país que não existe mais. Meu pai tinha um Doge Charger RT, um 8 cilindros de 240 hp que ele abastecia como se fosse uma mobilete, dado o preço do combustível, e ao ver as fotos do Portal, lembro dessas coisas. Lembro do meu avô, que nos seguia pelo condomínio e ficava sentado nos bancos com um olho no livro e o outro na gente para não aprontarmos nada. Eu sempre acreditei que o Portal era um símbolo de sucesso da cidade de São Paulo. O primeiro condomínio residencial fechado do Brasil. O Portal continua majestoso, belo e imponente”, emociona-se Marcelo.