Conheça um pouco mais sobre a vida animal no Portal. 

A reportagem abaixo faz parte da edição de Julho/21 da Portal Magazine. Para conferir a revista na íntegra, acesse o link abaixo:

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Fotos: Preá e Sagui-de-tufo-branco (acima); Saruê (abaixo). 

A área verde do Portal, além de ser um privilégio para os moradores, é também um refúgio para vários animais silvestres. Olhando a mancha verde que o Portal forma, juntamente com a área do colégio vizinho, no meio do cinza da região, é possível visualizar como é importante abrigar aves, insetos, anfíbios e alguns mamíferos. Além disso, a crescente fragmentação e desmatamento dos remanescentes de mata nos arredores da cidade tem causado a aproximação de muitos animais às áreas urbanas.

Sandra Steinmetz, bióloga da Ambiental Consulting e moradora do Jacarandá, nos explica que são muitas espécies de aves e insetos, com destaque para as borboletas, possivelmente com mais de 400 espécies. E essa biodiversidade só tende a aumentar, pois se está enriquecendo a área com o plantio de muitas mudas de árvores nativas que servirão de alimento e abrigo para esses animais (e para os moradores também).

O Saruê, presente no Portal, é um animal curioso, de hábitos noturnos, e pode ser visto passeando pelas árvores, em cima de muros ou até mesmo nas ruas, calçadas e garagens. Também conhecido como gambá-de-orelhapreta Didelphis aurita, ao contrário do que muitos acham, ele não é um rato, é um marsupial, assim como os cangurus. A fêmea possui no ventre o marsúpio, bolsa formada pela pele do abdômen, onde os filhotes ficam presos nas tetas por três meses, até se desenvolverem. Abriga-se em ocos de árvores, entre folhas, ninhos de aves e forro de residências. Tem um rabo comprido e preênsil (que agarra em galhos) que o torna um excelente escalador de árvores.

Podendo atingir 60 a 90 centímetros de comprimento e pesar até 1,6 kg, tem uma dieta super variada: insetos, larvas, frutas, legumes, pequenos roedores, lagartos, ovos, cobras, escorpiões etc. Come até serpentes, pois é imune ao veneno. Em locais urbanos pode também se alimentar de resíduos orgânicos (restos e sobras de alimentos humanos e de animais domésticos). É considerado um ótimo controlador de populações de roedores, escorpiões, aranhas, carrapatos e serpentes, além de grande dispersor de sementes. Portanto, é um aliado nosso. Apesar de parecer bravo, ele não é perigoso. Mas é melhor não mexer com ele, pois quando se sente ameaçado pode exalar um odor desagradável.

Outro animal que habita o condomínio é o preá Cavia aperea. Mede cerca de 25 cm de comprimento, com corpo robusto, patas e orelhas curtas, incisivos brancos e cauda ausente, sendo parente próximo do porquinho-da-índia. Pode ser mais observado a noite ou de manhazinha quando são mais ativos, principalmente nas bordas dos gramados e bambus. São animais herbívoros, alimentando-se principalmente de capim, grama e outras ervas, mas também de folhas secas, casca de árvore, frutas e sementes. Acaba assim, sendo um ajudante de jardinagem do Portal.

Vive em pequenos bandos (cinco a dez indivíduos) e só abandona sua toca na segurança de trilhas que, em geral, já conhece. Até porque, não quer servir de presa para corujas e gaviões ou gatos e cachorros. Cada grupo define o seu líder através de uma hierarquia. E o preá também é ciumento com sua parceira, às vezes, gerando conflitos internos no grupo.

Quem lembra da obra ”Vidas Secas” de Graciliano Ramos? No livro, a cachorra Baleia, animal de estimação da família, sonha à beira da morte com o seu paraíso: ”um mundo cheio de preás”, servindo de alimento para ela e para a família tão castigada com a fome instalada pela seca.

E não podemos esquecer do sagui, macaquinho muito simpático e ativo. São duas espécies ou uma mistura delas (o que chamamos de híbrido), o sagui-de-tufos brancos Callithrix jacchus (com tufos brancos nas laterais da cabeça) e o sagui-de-tufos-pretos ou micoestrela Callithrix penicillata (com tufos pretos). Esses pequenos macacos foram trazidos pelo homem, na maioria das vezes como pet, do Nordeste (Caatinga e Mata Atlântica) e Brasil central (cerrado) e, como são altamente adaptáveis a áreas de floresta perturbadas ou mais abertas, encontram moradia nas áreas verdes e mais arborizadas de São Paulo e muitas outras cidades. Basta lembrar do desenho animado “Rio” em que esses macaquinhos são retratados como pequenos malandros!

De pequeno porte, com peso entre 350 e 450 gramas, possui cauda maior do que o corpo, garantindo o seu equilíbrio nas árvores. Vive em grupos de três a quinze animais, com um ou dois casais que ser reproduzem e os demais não. Geralmente, a fêmea dá luz a dois filhotes e o cuidado é compartilhado com o macho, que também carrega a cria. Você já deve ter escutado os guinchos (parecido com assobios) muito agudos que eles emitem quando ameaçados para alertar o grupo ou então para proteger seu território de outros grupos.

Muito ativos, ficam cerca de 25 a 30% do tempo procurando por alimentos, que são bem variados, incluindo frutos, insetos, aranhas, ovos e até pequenos pássaros e anfíbios. Uma de suas refeições favoritas é a goma exsudada de troncos de algumas árvores, que eles roem com os dentes incisivos inferiores. Essa goma serve de fonte de carboidratos, cálcio e algumas proteínas e garante sua alimentação nas épocas de escassez de frutos.

É importante ressaltar que prender, comercializar, maltratar ou matar animais silvestres é crime passível de multa e prisão, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, Lei nº 9.605/98. Mas aqui no Portal todos eles estão seguros e, agora, você já sabe mais sobre eles! Agora, é só aproveitar essa riqueza e observar esses nossos habitantes tão divertidos! Vamos preservar a nossa fauna!